“Shakespeare não foi um revolucionário, em nenhum sentido da palavra e em campo algum. Ao contrário, valorizava a estabilidade. Tinha instinto de comerciante provinciano da classe média que ia bem nos negócios. Era conservador e detestava ativamente as idéias radicais, como deixou claro na peça em que mais expressava uma opinião: Troilus e Cressida. Reiterou essa aversão enfática e repetidamente em suas peças históricas, nas quais deplorava todas as tentativas de injustiças corrigidas, sobretudo, por meio da violência contra a ordem estabelecida. O conservadorismo de Shakespeare, sua preferência pela ordem estabelecida, com todas as suas imperfeições (das quais estava bem ciente e que expunha com freqüência), era temperado por um desejo de “aperfeiçoamento” da moral pública e das maneiras privadas, pela adoção gradual e pacífica de melhores formas de fazer as coisas. Amor pelo “aperfeiçoamento”, no lugar da revolução.”

                              (Paul Johnson, Os criadores. Rio, Elsevier, 2006, p.54)