As peças de Shakespeare

William Shakespeare foi um poeta e dramaturgo de língua inglesa, cujo gênio criou personagens e histórias que refletem o que há de melhor e pior em nossas vidas.

Em contato com os seu personagens — Shylock, Hamlet, Lear, Henry, Macbeth, Puck, Ophelia, Falstaff, Rosencratz and Guildenstern —, percebemos o quanto eles podem parecer com as pessoas que conhecemos ao longo da vida.

Muitos leitores travaram duras batalhas com os textos de Shakespeare, enquanto cursavam o ginásio e a faculdade. Suas peças, porém, parecem ter mais sentido cada vez que são relidas ou bem encenadas.

O escritor católico e locutor Benjamin Wiker disse, acertadamente, que “cada frase de Shakespeare é plena de sentido e transbordante, com suas camadas de significado integradas à obra maior.” Para compreender o sentido mais profundo de cada peça, é preciso lê-la e relê-la. E quem o lê pela primeira vez, logo se deixará prender pelo conhecimento do ser humano que possui o dramaturgo: as tentações, desejos e escolhas reais dos personagens, com todas as suas consequências.

Há uma considerável evidência sugerindo que Shakespeare tenha sido católico. Se for verdade, isso fornece uma lente nova através da qual compreender o sentido de sua obra. Para o crítico literário católico Joseph Pearce, Shakespeare é “um moralista cristão tradicional, cujas obras representam uma sublime resposta aos erros modernos e pós-modernos de nossa época.” Contudo, mesmo sem essa lente católica, os princípios da virtude cristã logo se evidenciam no conjunto de sua obra.

Para começar a ler Shakespeare, recomendaria cinco de suas peças mais importantes.

Rei Lear conta a história de um pai problemático, abandonado por suas filhas, mas finalmente redimido pelo sofrimento e pelo amor.

Hamlet é a história de um jovem príncipe, obcecado pelo assassinato de seu pai e encaminhando-se, inexoravelmente, para um trágico desfecho de vingança.

Macbeth é a história de um casal, com marido e mulher consumidos e destruídos pela busca do poder.

Henrique V conta a complicada história da Batalha de Azincourt, mostrando a glória e a tragédia da guerra.

O mercador de Veneza é uma fascinante história de amizade, misericórdia e heroísmo, com alguns dos mais vívidos personagens de Shakespeare.

Ler Shakespeare, especialmente as peças acima indicadas, pode ser uma experiência comovedora. Outras peças, como Noite de Reis ou Sonho de uma noite de verão, são maravilhosamente poéticas e extremamente engraçadas. Outras mais, como Medida sob medida, representam bem o gênero teatral da “moralidade”.

Shakespeare é particularmente adequado para leitura em voz alta. Alguns amigos, com poucas horas livres, poderiam ler em conjunto, em voz alta, algumas dessas peças, experimentando a grandeza dramática de uma obra shakespeariana.

“Shakespeare não é grande por haver se desinteressado de certas coisas simples, como a fé religiosa ou a lei moral”, afirmou Anthony Esolen, ”mas por conseguir tornar atraente a beleza dessas coisas.” O mundo é belo e irresistível. Shakespeare nos ajuda a ver e compreender a sua beleza.

(James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf