Confissões de Santo Agostinho

“Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova. Tarde Te amei! Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo. Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz.”

As Confissões, de Santo Agostinho, são uma obra de beleza e de gênio ao mesmo tempo. É a autobiografia espiritual de Agostinho de Hipona, cristão convertido do quarto e quinto século, que também foi teólogo e bispo.

As Confissões são realmente uma história de amor — história de uma alma criada por Deus, amada por Deus e transformada por Deus. É, também, um relato sobre a realidade do pecado (uma vida de pecado altera nossas percepções e esperanças, arrastando-nos para longe da felicidade para a qual Deus nos chamou).

Antes de tudo, as Confissões de Santo Agostinho são um testemunho da íntima amizade que Deus deseja ter com cada um de nós, e da intensidade com que Ele nos acompanha em seu amor e amizade.

Há um estudioso especial de Santo Agostinho, cuja obra também é digna de atenção: Boécio. Foi um senador romano do sexto século depois de Cristo, que leu Santo Agostinho com muita atenção, assim como estudou Platão e Aristóteles. Escreveu excelentes obras de filosofia e teologia, como também sobre música, astronomia, geometria e aritmética.

Em 523, Boécio foi indevidamente acusado de traição, encarcerado e, por fim, executado. Na prisão, escreveu a sua obra mais famosa, A consolação da filosofia – uma pequena série de reflexões sobre justiça, felicidade e bondade.

Papa Bento XVI disse que, n’A consolação da filosofia, Boécio “ensina-nos a evitar o fatalismo, que extingue toda esperança. Ensina-nos que não é o acaso que governa o mundo, mas a Providência, e a Providência tem um rosto. É possível falar com a Providência, pois a Providência é Deus.”

A bondade da Providência Divina é a grande lição das Confissões de Santo Agostinho, verdade que Boécio assimilou na prisão. Também nós, ao ler essa obra de Santo Agostinho, podemos aprender a reconhecer o rosto bondoso da Providência Divina.

(James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf