Gideon's_army_10,000_1133-41

Os acontecimentos políticos, jurídicos e sociais deste nosso Brasil, nos últimos dias, afetam profundamente a alma e o ânimo dos brasileiros de bem que anseiam por dias melhores.

A esperança que eternamente nutrimos, às vezes é duramente atingida e beiramos o precipício da desesperança, do desânimo.

Como acontece muitas vezes, em situações difíceis o cristão procura consolo e iluminação na Bíblia que ajuda o espírito daqueles que têm fé em Cristo e na vida eterna.

Hoje, por acaso, navegando pelos mares insondáveis e profundos da internet, encontrei o depoimento emocionante da conversão de um ateu militante ao catolicismo. Revelava que depois de anos de procura intensa por um sentido de vida encontrava-se totalmente descrente de qualquer perspectiva de futuro porque, seriamente doente, perdeu tudo e todos ao seu redor.

Isolado em leito de hospital, com dores incapacitantes, por pura falta de opção, ele tomou  o único livro que ali existia: uma Bíblia de Gideon. Como que por imposição do destino o livro abriu no Salmo 87. Leu várias vezes o texto e sua alma, milagrosamente, se encheu de alegria porque alí estava descrito o seu sofrimento, a sua vida desde a juventude; percebeu por inspiração do Espírito Santo  que aquela história do Velho Testamento apontava claramente para o Cristo, levava ao Cristo da sua infância, àquele Cristo que foi morto na cruz e em quem muitas vezes ele nada via. Agora ele via claramente, aquele Salmo lido alí no leito de dor do hospital descrevia-o e o transportava para o Cristo crucificado, para a dor e o desespero da morte, mas não só; para além da morte e da dor, para a ressurreição, para a misericórida infinita que redimia a todos e abria as portas da vida eterna.

Converteu-se no mesmo instante porque encontrou Cristo em sí mesmo. Em breve, recuperou-se física e espiritualmente e se transformou em evangelizador. Pela dor foi despertado e pela fé encontrou Deus.

Eu, como brasileiro preocupado e como católico praticante, lendo o Salmo 87 da história de conversão, encontrei o Brasil: jogado no poço da dor, no abismo da corrupção, no afastamento de Deus pelo culto de ideologias espúrias, no culto idólatra de deuses inexistentes, na degradação moral, no movimento suicída de destruição da família. Também lembrei-me de Gideão, aquele juíz  guiado por Deus que com apenas 300 soldados expulsou mais de 30 mil inimigos do reino de Israel.

A história da conversão do ateu, o Salmo 87 e a história de Gideão me fizeram ver com mais clareza o momento difícil que atravessamos enquanto país e, mais, me mostrou que há salvação, que há esperança e ela está em Deus.

Oremos por todos nós, por nosso país, para que possamos, como povo, encontrar a luz e vencer os males que nos afligem, mesmo estando neste profundo abismo da atual vida nacional.

 

1. Cântico. Salmo dos filhos de Coré. Ao mestre de canto. Em melodia triste. Poema de Hemã, ezraíta.

2. Senhor, meu Deus, de dia clamo a vós, e de noite vos dirijo o meu lamento.

3. Chegue até vós a minha prece, inclinai vossos ouvidos à minha súplica.

4. Minha alma está saturada de males, e próxima da região dos mortos a minha vida.

5. Já sou contado entre os que descem à tumba, tal qual um homem inválido e sem forças.

6. Meu leito se encontra entre os cadáveres, como o dos mortos que jazem no sepulcro, dos quais vós já não vos lembrais, e não vos causam mais cuidados.

7. Vós me lançastes em profunda fossa, nas trevas de um abismo.

8. Sobre mim pesa a vossa indignação, vós me oprimis com o peso das vossas ondas.

9. Afastastes de mim os meus amigos, objeto de horror me tornastes para eles; estou aprisionado sem poder sair,

10. meus olhos se consomem de aflição. Todos os dias eu clamo para vós, Senhor; estendo para vós as minhas mãos.

11. Será que fareis milagres pelos mortos? Ressurgirão eles para vos louvar?

12. Acaso vossa bondade é exaltada no sepulcro, ou vossa fidelidade na região dos mortos?

13. Serão nas trevas manifestadas as vossas maravilhas, e vossa bondade na terra do esquecimento?

14. Eu, porém, Senhor, vos rogo, desde a aurora a vós se eleva a minha prece.

15. Por que, Senhor, repelis a minha alma? Por que me ocultais a vossa face?

16. Sou miserável e desde jovem agonizo, o peso de vossos castigos me abateu.

17. Sobre mim tombaram vossas iras, vossos temores me aniquilaram.

18. Circundam-me como vagas que se renovam sempre, e todas, juntas, me assaltam.

19. Afastastes de mim amigo e companheiro; só as trevas me fazem companhia…