Os Diálogos de Platão

Não posso sugerir uma favorita minha, entre as obras de Platão, nem dizer qual é a mais importante. A sua filosofia vai se desdobrando no drama do diálogo socrático: Platão constrói e relembra conversas entre seu mestre Sócrates e seus colegas de estudo.

Seus Diálogos inauguram as grandes questões da filosofia: o que é o conhecimento? O que é a sabedoria? O que é a bondade?  O que é a verdade? Quem, o que e onde estou?

Entre os mais importantes e mais tocantes diálogos de Platão estão Apologia, defesa da vida contemplativa e a procura da verdade; Eutífron, investigação sobre o sentido da piedade e da devoção religiosa; Fédon, reflexão sobre a alma e narração da morte de Sócrates; e Críton, no qual o filósofo trata da justiça e da injustiça, e a solução adequada ao problema da injustiça no mundo.

Górgias é um diálogo particularmente valioso para os dias de hoje, pois fornece intuições para o relacionamento entre políticos, justiça e lei natural; Platão insiste que a ética política deve sempre estar enraizada na verdade objetiva.

República, entre as melhores obras de Platão, é um trabalho muito longo, na qual Sócrates explora a natureza da justiça, o Estado e a alma.

Platão não foi cristão. De fato, escreveu 350 anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Mas suas ideias — sobre o ser, a justiça e a virtude — tem alguma semelhança com a visão de mundo cristã, e influenciou muitos dos mais importantes pensadores cristãos, entre os quais Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e o papa Bento XVI.

Platão não é sempre fácil de compreender, mas ler seus diálogos e refletir sobre eles é um estímulo para examinar as questões mais importantes da vida.

“Um homem, que queira ser bom nas coisas que faz”, escreve Platão, “não deveria levar em consideração os riscos de viver ou morrer, mas somente cuidar se, ao fazer algo, faz coisas justas ou injustas; se age como um homem bom ou mau.”

Se desejamos nos tornar bons homens e boas mulheres, os diálogos de Platão tem muito a nos ensinar.

(James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf