A Odisseia de Homero

Ulisses foi um peregrino, um marido, um pai, um soldado e um homem que voltava para casa. O antigo poema épico de Homero, proveniente do mundo grego e composto quase três mil anos atrás, é a história de um homem que esteve preso, batalhou contra deuses e homens, foi tentado, naufragou e quase morreu afogado. É a história de um homem que nunca perdia de vista a sua volta para casa.

Ulisses é orgulhoso, vingativo e astucioso. Não é um homem perfeito. Peca, e o faz com impressionante tranquilidade. Mas, apesar de sua má conduta, segue em frente, voltando para a sua mulher, sua família e sua casa.

A história tem muitas aventuras e riscos. As batalhas são vívidas. As viagens são penosas. As tentações são verdadeiras.

É uma história instrutiva. Quase três mil anos atrás, Homero já identifica os perigos que nossa moderna cultura iria enfrentar: apatia, escapismo, luxúria, vaidade e ira.  Mas a história de Ulisses é a história de um homem que supera as tentações e, com fortaleza, alcança o seu destino.

A Odisseia pode nos remeter à vida cristã, aos árduos desafios de nossa vida cotidiana. Sua leitura pode ser, também, uma lembrança das coisas mais importantes do mundo, as “primeiras coisas”, em torno das quais devemos organizar nossas vidas: o trabalho, a família, a casa.

A Odisseia é parceira da Ilíada, poema épico que retrata as poucas semanas da guerra de Tróia. A Iliada é a história da “ira” de seu herói, Aquiles, e de seu feudo, experimentada inicialmente pelo rei-guerreiro Agamenon. É uma história de orgulho, honra, lealdade e destino.

A Eneida de Virgílio, de tão bela poesia, relata as consequências do saqueio de Tróia e a fundação de Roma por Enéias. Esse poema épico, que faz a ponte entre o mundo grego e o mundo latino, aproveita muitos personagens e retoma muitos dos temas das obras de Homero. São obras que influenciaram São Paulo, Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino, e, através deles, chegaram até nós. Juntos, Odisseia, Ilíada e Eneida formam a base de quase toda a literatura ocidental e de muito da imaginação do Ocidente.

(James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf