Nascer de novo pelo assombro (cont.)

Enfim, essa lista não foi projetada para ser uma lista dos “10 mais”. Nem estou seguro de que isto possa ser possível (tive de deixar de fora livros mais queridos dos que os que incluí).

Ao contrário, escolhi algumas obras específicas para essa lista, que possam servir como pontos de partida, lugares a partir dos quais se comece a exploração dos clássicos da literatura Ocidental. Num certo sentido, estão nelas representados vários gêneros, todos procedentes da vasta história da cultura ocidental. Se você já leu algum dos livros dessa lista, peço que você considere a possibilidade de lê-lo de novo.

S. Lewis escreveu, certa feita: “A marca registrada de uma pessoa iletrada é considerar o ‘já lido’ como um argumento decisivo contra a releitura de uma obra.  Os que leem grandes livros lerão a mesma obra 10, 20 ou 30 vezes no curso de sua vida.” Peço também, com insistência , que você possa ler esses livros, e muitos outros, com suas famílias, em suas paróquias e em suas comunidades. Que possam surgir clubes católicos de leitura e círculos literários, compostos  pelos nossos católicos do dia a dia, que possam ler e refletir sobre belas histórias e ideias importantes.

A leitura, no mundo moderno, é um empreendimento solitário. Mas, na maior parte da história, os livros foram lidos em voz alta, e as narrativas eram ouvidas ao pé da lareira, na mesa de jantar ou durante caminhadas. As ideias germinam melhor quando são compartilhadas; costumam ter mais importância quando as compartilham a comunidade.

A linguagem desses livros pode parecer esquisita e soar estranha à época moderna. Mas, por favor, não desanima. Persevera! Você pode não compreender tudo o que lê; pode ser tentado a abandonar esse livro e ir atrás de algum outro. No entanto, seguir em frente com a boa literatura tem suas recompensas.

Quanto mais frequentemente enfrentamos obras desafiadoras, mais forte se torna a nossa inteligência e a nossa imaginação — cada vez mais claramente se desvenda a beleza dos personagens, das histórias e da abundante providência divina.

Minha esperança, com esse ensaio, é estimular a imaginação, abrir a consciência e encorajar vocês — cada um de vocês —, a “nascer de novo pelo assombro”; maravilharem-se, em seus corações e em sua imaginação, na glória do Senhor.

(James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf