Nascer de novo pelo assombro

 A literatura abre nossa imaginação ao maravilhoso, e a leitura de bons livros nos faz descobrir o aspecto contemplativo de nossa humanidade, estimulando em nós um senso de justiça, de caridade, de generosidade. Podem alargar os horizontes de nossas almas, inspirando nossos corações a buscar coisas mais elevadas.

Conduzindo os fiéis, diz o padre no prefácio da Missa: “Sursum Corda”, “Elevai vossos corações”. É o que faz a nossa fé; e é o que a boa literatura também poderia fazer. Se queremos resolver os problemas culturais de hoje, precisamos desesperadamente uma renovação da mentalidade ocidental. Só é possível levar adiante uma renovação da cultura cristã, no mundo atual, se começarmos de joelhos, rezando, mas também com livros nas mãos, inseridos na grande tradição da mentalidade clássica. Em resumo, precisamos de conhecimento para derrotar o pai da mentira.

Não podemos propor sábias ações políticas se não cultivamos a sabedoria e o correto julgamento das coisas. E a sabedoria começa com o assombro da imaginação literária. Sou frequentemente indagado sobre livros que recomendaria. De fato, este ensaio texto foi inspirado por tais pedidos de amigos católicos. Muitos de meus amigos sabem que tive o benefício, inteiramente imerecido, de receber uma formação literária que tem se tornado muito rara hoje em dia. Como estudante do Programa Integrado de Humanidades da Universidade de Kansas, pude ler as grande obras da cultura ocidental e milhares de outros livros, que sempre tinham alguma historia importante para contar. Meu caminho para a Igreja Católica e para Jesus Cristo foi aberto por esses livros.

Este ensaio inclui uma lista de algumas de minhas obras preferidas e alguns de meus autores prediletos, seguindo a trajetória da cultura e do pensamento ocidental. Não se trata, porém, de uma lista definitiva, ou impositiva, nem mesmo objetiva. Ao contrário, é bastante pessoal: reflete os autores que tocaram meu coração, minha mente, minha imaginação.

Toda lista de bons livros será, sempre, obrigatoriamente pessoal. Minha lista de livros, portanto, jamais poderia ser exaustiva – são tantos bons livros que seria impossível listar todos. A experiência de leitura revela que um bom livro pode tocar profundamente um coração e deixar outro indiferente. Tais listas podem desencadear grandes debates e muita divergência, sinal de que os bons livros podem mexer com nossos corações e lá permanecer para sempre.

Os livros da minha lista não contêm todas as ideias que me formaram, nem mesmo as mais importantes. Não é uma lista dos clássicos da espiritualidade. É uma lista literária — subjetiva e estética — e seus livros estão entre os que considero particularmente belos; portanto, particularmente sedutores.

Em 1999, São João Paulo II escreveu que, “diante da sacralidade da vida e da pessoa humana, e perante as maravilhas do universo, o assombro é a única atitude apropriada”. Quero compartilhar, com vocês, certas obras literárias que me despertaram para o assombro, além de livros dos quais simplesmente gostei — personagens, aventuras e histórias que amei.

Meu bom amigo, o escritor Anthony Esolen, diz que os livros abrem as portas da possibilidade: “Se você não lê romances para fazer novos amigos, perambular pelos campos ou velejar pelo mar, então não deve lê-los de jeito nenhum.”

(James D. Conley é bispo da diocese de Lincoln, Nebraska, EUA. Este ensaio foi publicado no National Catholic Register, em 31 de maio de 2015)

https://www.ncregister.com/images/documents/Literature_Section_053115.pdf