P: O senhor assegura que o Evangelho que pregou não tem nada de humano; que não o recebeu nem o aprendeu de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo. O que aconteceu realmente na estrada de Damasco?

R: Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos); depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus.

Durante a viagem a Damasco, lá pelo meio-dia, nós já estávamos perto da cidade, quando de repente brilhou em torno de mim e dos meus companheiros uma forte e resplandecente luz, vinda do céu, mais fulgurante que o sol. Caímos todos nós por terra. Eu ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Os homens que me acompanhavam encheram-se de espanto, pois viram a luz, mas não ouviram a voz de quem falava. Eu disse: “Quem és tu, Senhor?” Respondeu ele: “Eu sou Jesus de Nazaré, a quem tu persegues. Duro te é obstinar-se contra o aguilhão.” Então, trêmulo e atônito, disse-lhe: “Senhor, que queres que eu faça?” Respondeu-me o Senhor:  “Levanta-te, vai a Damasco e lá te será dito tudo o que deves fazer.” Levantei-me do chão. Abrindo, porém, os olhos, não via nada, por causa da intensidade daquela luz. Guiado pela mão dos meus companheiros, cheguei a Damasco, onde estive três dias sem ver, sem comer nem beber.

[Fonte: Bíblia da Ave Maria. Com exceção das perguntas, que são do “entrevistador”, as respostas todas são do Apóstolo e foram extraídas dos “Atos dos Apóstolos” e das cartas de São Paulo]