APOCALIPSE

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Dizem que um dia, Napoleão Bonaparte, o todo poderoso imperador francês, perguntou a Laplace, o todo influente astrônomo e matemático:

– Qual o lugar de Deus no seu universo?

Laplace, do alto da sua arrogância, teria respondido:

– O meu universo não precisa da hipótese de Deus!

Na esteira de Laplace, o demônio recrutou outros “matadores de Deus”: Kant, Feuerbach, MarxNietzche, Darwin, Freud e, mais recentemente, Dawkins e outros que fazem grande sucessso propagando que Deus não existe e a religião é apenas uma ilusão.

Uma análise crítica do trabalho destes “cientistas” e “filósofos” no entanto, revela pontos interessantes.

Primeiro, todos eles substituiram Deus em seus sistemas ou esquemas mentais por outros princípios: uns pela matéria (somente a matéria existe!), outros pela mente humana (eu crio o mundo com o meu intelecto) e outros ainda pelo princípio de que nada existe e somos apenas uma ilusão.

Marx, por exemplo, construiu a hipótese do “materialismo dialético“: a matéria é o substrato único do universo e sua “evolução dialética” é responsável pelo aparecimento  da vida e da razão humana. O homem não tem alma, apenas um conjunto de neurônios que produzem uma consciência.

A esta tese aderiram inúmeras outras correntes do pensamento, originando o “materialismo científico“, o “racionalismo“, o “materialismo histórico“, o “fisicalismo“, o “movimento ambientalista“, a “ideologia de gênero“, a noção do “politicamente correto” e outras, todas baseadas no princípio último de que Deus não existe, somente existe a “matéria” e tudo decorre dela. Invariavelmente estas ideologias modernas derivam do marxismo.

Em termos lógicos simplificados significa dizer que da matéria inanimada, da sua simplicidade – uma rocha, por exemplo – surgiu toda a complexidade do mundo: a vida, a razão humana, a beleza que encontramos no mundo, a solidariedade, o amor, a fé, tudo o que conhecemos e vamos conhecer. O mundo é matéria em fluxo, como propunha Heráclito; não existe um Ser superior que sustenta o universo.

Neste universo sem Deus, o homem é a medida de todas as coisas, como dizia Protágoras. Deus está morto (Nietzche); Deus é alienação do homem (Marx); Deus não é mais do que uma ilusão (Fuerbach e Dawkins).

Um “mundo sem Deus” é a religião moderna, puro paganismo. Se Deus não existe, tudo é permitido. Não existe ética e moral natural, tudo é criado pelo homem e varia de acordo com as suas necessidades. A justiça é apenas um acordo de vontade dos poderosos, não existem valores absolutos.

Estes são os principios que regem o mundo moderno, ou pós-moderno em que vivemos. A “religião  moderna” que a cada dia ganha mais afiliados. Religião ensinada diariamente em nossas escolas e universidades, divulgadas com alarde pelos meios de comunicação de massa através de “novelas” progressistas e programas “modernos” com seres humanos enjaulados e observados em rede nacional.

Essa é a religião “moderna”que mata Deus diariamente ante os olhos perplexos de muitos que permanecem estarrecidos e sem ação.

Fica a grande pergunta:

Como os cristãos e principalmente os católicos devem lidar com assassinato diário de Deus? (assunto para outro post)

The Murder of God

It is said that one day, Napoléon Bonaparte, the powerful French imperator asked to Laplace, the influent astronomer and mathematician.

– What is the place of God in your universe?

Laplace, from the heights of his arrogance, answered:

– In my universe, there is no place for the hypothesis of God, I had no need of this.

True or not, this anecdote described very well what has followed: the demon has recruited others “God Killers”: Kant, Feuerbach, Marx, Nietzsche, Darwin, Freud, and recently Richard Dawkins and Daniel Dennett, who are media stars disseminating the propaganda that God does not exist, and that religion is only an illusion.

Looking critically to the published work of these “scientists” and “philosophers” however, reveals many interesting and contradictory issues.

First, all of them have only substituted God in their systems or mental frameworks for other principles: ones have substituted God for the raw matter (only matter exists), others for the human mind (the world is in my mind), and other ones by a nihilist principle (nothing really exists, we are only illusions).

Marx, for example, have created the hypothesis of “dialectical materialism” which postulates that matter is the very substrate of the entire universe, and its “dialectical evolution” is the only responsible for the appearance of live and human reason in earth. The human being has not a soul, he only has a neuron network in his brain that is the producer of the conscience.

The materialist theses have developed other systems of though like the “scientific materialism”, “rationalism”, “historical materialism”, “physicalism”, “environmental movement”, “gender ideology” and “political correctness” movements. All of this philosophical or ideological systems are based on the principle that “God does not Exist”, the matter only exists; these systems of though and political movements are all derived from the initial thesis of Marx.

In logical and simple terms the materialism implies that the inanimate matter – a rock  for example – is the cause and reason for all the complexity we find in the world: life, human reason, the beauty, the solidarity, the love, the faith, everything material and immaterial that exists in the universe, known and unknown. The universe is matter in flux, as was proposed by Heraclitus; there is not a Supreme Being that supports the universe, only matter.

In this material universe without God, the human being is the measure of all things as said by Protagoras. God is dead (Nietzsche), God is the alienation of man (Marx), God is no more than a delusion (Dawkins).

The “world without God” is the modern new religion, pure paganism. If God does not exist, everything is allowed. There is no ethics, no natural moral, everything is made by men, and varies according their necessities. The justice is only the arrangements of the desires of the powerful, there is no absolute values.

That rotten principles governs the modern and post-modern world where we live. These “modern religion” which every day growth strong and are taught in our schools and universities, and was spread with vigour by the mass media through movies, sitcoms and modern TV programs where human beings were jailed in comfortable houses only to be observed with morbid curiosity 24 h a day.

That is the “modern religion”, the modern atheism that kills God every day in front of the perplexed eyes of many that remains astonished and paralyzed.

At the end remains the big and disturbing question:

How Christians and mainly, how we Catholics should deal with this everyday murder of God?

(That is an issue for a future post)