O arcebispo de Valência, Espanha, Cardeal Antonio Cañizares, enviou uma carta aos sacerdotes da sua diocese no início deste ano de 2018 – intitulada “Minha casa é uma casa de oração” -, na qual dá diretrizes tanto aos fiéis, que vêm ao templo, quanto aos religiosos responsáveis ​​por eles, para fazer com que as igrejas sejam o que em verdade são: casas de oração e não lugares profanos.

Cardeal Antonio Cañizares foi nomeado em 2008 por Bento XVI para o cargo de prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, encarregada, entre outras tarefas, de velar pela correta celebração da liturgia católica. O cardeal permaneceu à frente desse dicastério até 2014.

Conversas durante a Missa

A carta do cardeal começa com uma mensagem clara: o silêncio é fundamental, mas parece ter caído no esquecimento.

“Quando eu era criança, meus pais e professores me ensinaram a ficar quieto no templo. Agora, no entanto, alguns entram no templo como em qualquer outro lugar, prontos para o show. Quando chega o momento do abraço da paz, uma verdadeira confusão é criada, um rumor às vezes desrespeitoso e, no final da celebração, a algazarra está armada. Peço aos sacerdotes e a todos os fiéis que procedam de uma maneira diferente; peço-lhes que mantenham a compostura”.

Roupas inadequadas

O cardeal Cañizares também diz que não é raro encontrar-se nos templos pessoas inadequadamente vestidas. E dá instruções precisas: «Seria necessário alertar com cartazes que chamassem a atenção de que maneira se pode entrar no templo e de que maneira não, como se faz, por exemplo, na Basílica de San Pedro, em Roma. Se alguém entra de forma inadequada ou indecorosa, seria necessário convidá-lo educadamente a se retirar, para mudar de roupa e só então voltar ao templo. O que não é possível é essa falta de respeito”, diz a carta do Cardeal. Entre as roupas aceitas na Basílica de São Pedro, em Roma, estão as calças compridas, saias até o joelho e ombros cobertos.

O templo não é estúdio de fotografia

O máximo responsável pela arquidiocese de Valência está indignado com o alvoroço e a falta de respeito que surgem no momento das fotos, quando se finalizam as celebrações Missas e ocorrem quando se finalizam celebrações como as primeiras comunhões, batismos, casamentos ou crismas.

Cardeal Cañizares também faz o seu “mea culpa”. “Eu sou o primeiro a sucumbir a isso e receio que meus irmãos bispos façam o mesmo. Temos que ter muito cuidado; as coisas podem ser feitas de forma diferente, e bem feitas, sem impedir que as pessoas registrem em fotografia esses momentos que lhes são tão gratos. O que não podemos é transformar o templo em um estúdio de fotografia, nem tampouco em ocasião de distrações e frivolidades”.

Indiferença diante do Sacrário

Em muitas ocasiões, diz o Cardeal, “passa-se diante do Sacrário sem qualquer reverência ou a genuflexão que é devida. É preciso educar as crianças e os adultos para esse hábito.”

Recolhimento e devoção na comunhão

O arcebispo de Valência também não está satisfeito com a forma como os fiéis recebem a comunhão. Confessa o quanto lhe faz mal ver como algumas pessoas se aproximam da Eucaristia, sem nenhum recolhimento e devoção, sem nenhum gesto de adoração, como alguém que pega um biscoito ou algo parecido. Pode-se comungar diretamente na boca, ou na mão, levando-se depois o Corpo de Cristo à boca, porém a forma mais apropriada ao mistério do Corpo de Cristo é receber comunhão de joelhos e na boca.”

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