A Ascensão é um mistério muito importante na vida espiritual do cristão porque é a Festa que apresenta o objetivo da nossa própria vida e, por isso, ordena, de alguma forma, o nosso caminho.

Também a nossa vida espiritual é uma ascensão, um caminho não tanto através do deserto, não tanto uma ascensão ao Sinai, quanto uma ascensão ao Céu, com Jesus. O objetivo do nosso caminho não é mais uma terra além do Jordão, e não é mais o cume do Sinai, é o próprio Seio do Pai, é o Céu, onde Deus se manifesta, onde nós viveremos na visão de Deus.

Moisés sobe ao Sinai para falar com Deus face a face, como um amigo costuma falar com um outro amigo, diz o Livro do Êxodo. Mas para encontrar-se com Deus, deve ir além das nuvens, de um modo a tornar-se invisível e escondido aos olhos do povo. Moisés vai além da nuvem e Jesus faz o mesmo. A nossa ascensão a Deus implica um escondimento de nossa parte, o nosso desaparecimento. Quanto mais o homem se dirige para Deus, tanto mais se esconde na humildade.

Jesus está presente entre nós, a Ascensão não o deixou afastado. Eu estarei convosco até a consumação dos séculos. Jesus está conosco, e não somente como Deus, mas também como Homem. A sua Humanidade ressuscitada da morte está conosco. Ele vive com o homem, na verdade, vivendo com o homem, e vivendo com o homem na glória que lhe pertence como o Filho Unigênito. Ele permanece escondido a todo olhar: a sua Ascensão gloriosa o subtrai da nossa vista. Na medida em que esta Humanidade se torna participante da vida divina, das propriedades próprias da Divindade, esta Humanidade se esconde, torna-se invisível. Não é que Ele não viva, mas se subtrai a nós de modo a não mais viver conosco, não, Ele vive e é, pelo contrário, a vida do mundo. Ele vem e mora entre os homens, mesmo que ninguém o descubra, mesmo que ninguém o veja, escute: neste silêncio Ele vive! Em um silêncio assim Ele permanece escondido.

Assim a vida humana: quanto mais a alma se eleva, na medida em que se eleva, entra na nuvem; na medida em que a alma se eleva para Deus, subtrai-se das experiências sensíveis; na medida em que a alma entra em comunhão com Deus, ao mesmo tempo, praticamente se dissipa diante dos olhos dos homens. Quanto mais uma alma é santa, tanto menos se pode dela falar; dos maiores santos se pode dizer bem pouco. Bem pouco se pode dizer da própria Virgem Maria, a Santa dos Santos; mas pouco se pode dizer também de São João da Cruz e de Santa Teresa do Menino Jesus. Eles viveram constantemente na luz de Deus, e a luz de Deus os envolve e os esconde. A divina Presença subtrai estas almas de toda relação com as coisas: não vivem mais na superfície, mas estão mergulhadas no Abismo. Como o mar: agita-se na superfície, mas no profundo permanece imóvel. E a alma é assim também. [Para ler todo o texto, clicar aqui].

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