Resultado de imagem para terra piatta

Conta-se que dois monges medievais discutiam sobre a quantidade de dentes que haveria na boca de um asno. Cada um deles levantava uma hipótese. A discussão já andava acalorada, quando um terceiro monge interveio e propôs:

— Que tal se vocês procurassem um asno de verdade e contassem os dentes de sua boca?

O terceiro monge sabia que a realidade era independente das ideias humanas, e estas últimas só tinham sentido quando se conformavam ao mundo das coisas reais.

A anedota pode ser de grande utilidade para o assunto desta crônica: as mentiras e exageros que, ao longo dos últimos dois mil anos, os inimigos da Igreja Católica têm feito circular pelos livros, pelas escolas, pelo cinema e televisão, e, mais recentemente, pela internet.

Tais mentiras e exageros sobre a história da Igreja, depois de postos em circulação, adquirem vida própria e passam a ser repetidos automaticamente. Transformam-se em boatos, notícias cuja origem ou veracidade não estão provadas, mas que contêm tanto sal malicioso, que as más línguas não resistem e vão passando adiante.

Essas falsas notícias sobre a Igreja Católica ligam-se, inicialmente, a dois grupos de fatos históricos, cuja origem se encontra na Idade Média: as Cruzadas e a Inquisição. Mas vão além, muito além. Quem já não viu algum filme, ou leu nalgum livro didático, sobre a famosa caça às bruxas medievais? Quem já não ouviu falar da crepitante fogueira da Inquisição? Quem já não ouviu falar da perseguição católica aos judeus, sobretudo no reinado da Rainha Isabel de Espanha? Quem já não ouviu falar de um estranho conceito teológico, segundo o qual as mulheres não teriam alma? Quem já não ouviu falar de certa injustiça cometida contra o físico Galileu Galilei, no início do século XVII? Quem já não ouviu falar dos malvados conquistadores espanhóis ou portugueses que, nas Américas, oprimiram os nativos? Quem já não ouviu falar de certo conceito medieval, segundo o qual a terra não seria redonda, o que teria impedido a expansão ultramarina? Ou, mais recentemente, quem já não ouviu falar das denúncias contra padres pedófilos, largamente difundidas pela mídia?

A lista é interminável. Para mostrar o que é verdadeiro ou falso nisso tudo, a Igreja criou uma disciplina teológica, conhecida como “apologética”, cujo objetivo é defender a religião católica contra os que tentam depreciá-la, utilizando argumentos racionais e metodologia científica (que é, na verdade, tão antiga quanto a própria Igreja Católica, pois inimigos da fé já existiam desde a primeira hora do cristianismo, como já o atestam as várias cartas do Novo Testamento).

Várias seriam as causas da maledicência anticatólica, daquela lista de horrores e sua ampla difusão no mundo ocidental. Estudiosos mais recentes apontam, como origem, algumas circunstâncias históricas, entre as quais as disputas existentes, no século XVI, entre países protestantes (Países Baixos e Inglaterra) e a poderosa Espanha católica. Outras causas estariam no pensamento e na prática revolucionária, fundamentalmente anticristãos, e que, a partir do Iluminismo, da Revolução Francesa, do positivismo oitocentista, do Marxismo, do Nazismo, do Fascismo, e, atualmente, da Ditadura do Relativismo, tinham e têm todo interesse em neutralizar a influência da Igreja, em especial a moral católica.

É hora de dizer como o terceiro monge da anedota: procuremos o asno. Vamos abrir a boca do animal e contar a sua dentadura. Ou seja, voltemos às “fontes primárias” da história, e aos autores que nelas se basearam, para conferir se tudo o que é dito contra a Igreja possui fundamento real, ou não passariam de lendas inventadas para servir a interesses políticos ou religiosos. História só se faz com fontes primárias, com o estudo honesto dos textos ou vestígios arqueológicos produzidos o mais proximamente possível dos acontecimentos que se pretende reconstruir com a narrativa historiográfica.