Voltam a aparecer especulações sobre a misteriosa renúncia do Papa Bento XVI, ocorrida há quatro anos. Uma pessoa próxima ao Papa, Bispo Luigi Negri, da diocese italiana de Ferrara, falou em recente entrevista sobre as grandes pressões que Bento XVI sofreu, antes de sua renúncia. Mencionou, também, o recente apelo de católicos norte-americanos dirigido ao presidente Trump, para que abra investigação sobre possíveis ações secretas do ex-presidente Obama contra o então pontífice romano. “Permanece por enquanto um grande mistério, mas estou certo de que a responsabilidade acabará aparecendo”, concluiu o Bispo Negri.

A quem interessava a queda do Papa Bento XVI? A quem ele incomodava, com sua defesa intransigente dos chamados “princípios inegociáveis”, expostos em famoso discurso lido a 30 de Março de 2006? Esses princípios eram só três, mas o bastante para contrariar fortes interesses do mundo atual: defesa da vida em todas as suas fases, da concepção à morte natural; casamento como união permanente entre um homem e uma mulher; direito dos pais de decidir sobre a educação dos próprios filhos.

Incomodava, em primeiro lugar, à chamada “elite globalista”, que há décadas planeja e lentamente executa um governo mundial, acima das soberanias nacionais. Tal “elite globalista” é uma reunião de forças políticas e econômicas internacionais, sobretudo americanas e européias, composta basicamente por representantes do capital financeiro (banqueiros e investidores) e da grande mídia, envolvendo muitos intelectuais e cientistas, muitos deles pertencentes à chamada Nova Esquerda.

A alegação desta “elite globalista” é que, na atual situação do mundo, o crescimento da população deverá ser obrigatoriamente controlado, já que os recursos da terra são finitos e sua diminuição poderia ser causa de sérios conflitos entre as nações. Para evitar guerras, portanto, urgia praticar-se uma política agressiva, com duas medidas intimamente coligadas: controle da natalidade e defesa do meio-ambiente. Em palavras mais simples, menos pessoas no mundo e mais controle dos recursos naturais.

Para isto, era importante mudar o comportamento das pessoas. Somente uma força mundial, com amplos poderes, teria condições de salvaguardar os recursos naturais do planeta e alterar uma mentalidade tão entranhada nos povos, como era a da procriação generosa. Esse governo planetário seria capitaneado pela ONU e algumas bilionárias fundações norte-americanas, ditas filantrópicas (Fundação Ford, Fundação Rockefeller, Fundação MacArthur, Fundo Global para Mulheres, entre várias outras).

Como impor ao planeta um governo mundial? Para realizar aquele projeto bípede — menos pessoas no mundo e mais controle dos recursos naturais —, algumas providências básicas deveriam ser tomadas: desestruturação da família convencional através do divórcio, legalização do aborto, disseminação dos métodos anticoncepcionais, cultura de poucos filhos, fortalecimento do movimento homossexual, educação para o sexo livre, defesa histérica do meio-ambiente, e, sobretudo, uma educação a serviço das novas idéias, privando os pais do direito de educar os próprios filhos.

Parte fundamental desse projeto mundialista era elaborar estratégias de repressão às vozes discordantes, em especial os cristãos, que eram e são os seus principais adversários, cujas normas morais dificultariam a instalação da nova mentalidade. A solução, portanto, era diminuir o poder das religiões mais dogmáticas, como a Igreja Católica, favorecendo-se a difusão de uma espécie de sincretismo religioso, misturando-se elementos de várias religiões, visando uma futura e mais flexível religião universal, moralmente neutra.

Era necessário que as novas gerações se deixassem moldar pelo “relativismo moral”, ou seja, não mais acreditassem em verdades imutáveis, válidas para pessoas de quaisquer épocas, mas em verdades flexíveis e adaptáveis a cada nova circunstância histórica.

Papa Bento XVI não quis colaborar com esse programa insensato. Ao contrário, repudiou-o com veemência, cunhando-lhe uma expressão que ficou célebre — “ditadura do relativismo” —, e por isso teve, contra si, os inimigos mais poderosos do planeta. A grande mídia o atacava continuamente. Adversários internos, dentro da própria Igreja, o constrangiam a ceder às pressões do mundo. Mas ele foi firme e manteve-se fiel a Cristo.